IPEN 70 ANOS: EM 2026, INSTITUTO COMPLETA SETE DÉCADAS DE CIÊNCIA, FORMAÇÃO E FUTURO
No campo da pesquisa ambiental e da cooperação internacional, o Instituto sediou, nos dias 26 e 27 de fevereiro, o workshop CoMet 3.0 Tropics. O evento reuniu pesquisadores brasileiros e alemães para planejar o monitoramento de gases de efeito estufa no Pantanal, no Cerrado e na Amazônia. A iniciativa previa o emprego de tecnologias de sensoriamento remoto e sistemas a laser para medir emissões atmosféricas, identificar suas fontes e ampliar o conhecimento sobre o comportamento do metano e do dióxido de carbono nos biomas tropicais. O encontro fortaleceu a colaboração entre o IPEN, a USP e instituições científicas alemãs na aplicação de tecnologias ópticas à pesquisa climática.
No mês seguinte, o Instituto concentrou ações na renovação de seu quadro pessoal, no ensino e na segurança de suas instalações. Entre os dias 2 e 13 de março, novos servidores participaram de uma capacitação intensiva em radioproteção, que combinou aulas teóricas e atividades práticas sobre grandezas radiológicas, efeitos biológicos da radiação, transporte de materiais radioativos, descontaminação e gerenciamento de rejeitos e efluentes. No dia 16, completaram-se 50 anos da Portaria n. 905 da USP, que, em 1976, oficializou o Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Nuclear IPEN-USP. Ao longo desse meio século, o Programa consolidou-se na formação de mestres e doutores e na produção de conhecimentos nas áreas de aplicações nucleares, materiais e reatores.
Ainda em março, o IPEN abriu inscrições para três bolsas de gestão estratégica destinadas a projetos de comunicação institucional, pesquisa histórico-documental e licenciamento das instalações de gerenciamento de rejeitos radioativos. A abertura de uma bolsa especificamente voltada à pesquisa e à organização de conteúdos sobre a trajetória do Instituto também se relacionava ao esforço de preservação e difusão de sua memória científica.

- Equipe vencedora do Hackatom, 2026 | Fonte: IPEN/CNEN
Em abril e maio, o IPEN ampliou a cooperação na área da saúde e sua presença nas discussões internacionais sobre segurança nuclear. Em 13 de abril, uma delegação formada por representantes da China Isotope & Radiation Corporation, da China National Nuclear Corporation e da HTA visitou o campus, conheceu as instalações e participou de apresentações sobre produção, fornecimento e desenvolvimento de radioisótopos e radiofármacos.
Em maio, representantes do Instituto participaram da CyberCon26, conferência da Agência Internacional de Energia Atômica realizada em Viena para discutir ameaças digitais, tecnologias emergentes e segurança informática no setor nuclear. No dia 21 daquele mês, o IPEN realizou ainda, em parceria com a Women in Nuclear Brasil (WiN Brasil), o V Encontro de Meninas e Mulheres na Ciência, reunindo estudantes de cinco escolas técnicas estaduais para conhecer laboratórios, pesquisadoras e oportunidades profissionais no setor nuclear. Nesse mesmo mês aconteceu, nos dias 21 e 22 de maio, a etapa brasileira do Global HackAtom - competição internacional estudantil dedicada às aplicações energéticas e não energéticas das tecnologias nucleares, no IPEN. Após uma intensa maratona de 24 horas, a equipe Cherenkov Marine-Rats, da Escola Politécnica da USP, consagrou-se vencedora, e vai representar o país em setembro durante o Festival Internacional da Juventude, na Rússia.
Em junho, o IPEN participou da organização do I Simpósio Internacional de Microplásticos em Ecossistemas Aquáticos, realizado em Santos. O encontro reuniu pesquisadores e especialistas para discutir a presença de microplásticos no ambiente, seus efeitos sobre os ecossistemas e as tecnologias empregadas na identificação, no monitoramento e no tratamento desse tipo de poluição.
Para finalizar o primeiro semestre, em julho e agosto, as atividades concentraram-se na inovação ambiental, na segurança cibernética e na preservação da memória institucional. Entre 6 e 10 de julho, o IPEN recebeu o professor Uwe Gohs, da Universidade de Ciências Aplicadas de Dresden, para colaborar nos estudos de uma planta-piloto de reciclagem de polímeros por processamento com radiação. De 20 a 23 de julho, o Instituto promoveu um workshop internacional sobre planejamento e resposta a incidentes cibernéticos em instalações nucleares, abordando prevenção, detecção, recuperação e coordenação entre equipes.
Paralelamente, foi lançada uma série histórica em preparação aos 70 anos do IPEN, a ser celebrado em 31 de agosto de 2026. A iniciativa recuperou documentos, fotografias, personagens e episódios que remontam à criação do antigo Instituto de Energia Atômica (IEA) e acompanham a consolidação da produção de radiofármacos, da formação acadêmica e das pesquisas nucleares no país. Assim, até meados de agosto, 2026 já reunia ações de formação profissional, pesquisa climática, cooperação em saúde, supervisão regulatória, proteção digital, tecnologia ambiental e valorização da memória científica.
O pesquisador emérito do IPEN, Marcelo Linardi, em seu livro sobre os 70 anos do Instituto, faz um retrato científico atual da instituição, demonstrando sua excelência no cenário nacional:
Em 2026, o Instituto conta com aproximadamente 486 funcionários ativos, além de mais 443 trabalhadores terceirizados. Cerca de 90 pesquisadores doutores estão credenciados a orientar alunos de pós-graduação em diversos níveis. A produção científica pode ser sumarizada, em média, em 250 artigos científicos publicados por ano em revistas internacionais arbitradas, um total de 141 patentes depositadas de 2000 a 2025, 35 mil itens no Repositório Digital e um Índice-h, que mede a produtividade e o impacto de publicações científicas, de 98, valor expressivo em métricas de produção científica internacional. Outro aspecto importante da produção científica do Instituto é a geração de patentes, que vem crescendo desde o início dos anos 2000. (LINARDI, 2026).
Vida longa ao IPEN!

