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IPEN 70 ANOS: EM 1983, USINA-PILOTO AVANÇA PARA A PRODUÇÃO DE HEXAFLUORETO DE URÂNIO (UF₆)

Publicada em: 24/07/2026 06:57 -

 

Vista externa da usina-piloto de produção de UF₆, concluída em 1986. Acervo: IPEN/CNEN; Tanque de armazenamento de UF₆, com capacidade para 12 toneladas. Acervo: IPEN/CNEN.
Vista externa da usina-piloto de produção de UF₆, concluída em 1986. Acervo: IPEN/CNEN; Tanque de armazenamento de UF₆, com capacidade para 12 toneladas. Acervo: IPEN/CNEN.

Ao dar continuidade ao processo iniciado ainda no então Instituto de Energia Atômica (IEA), no começo da década de 1960, de implantação de usinas-piloto do ciclo do combustível nuclear, o IPEN acumulou, ao longo dos decênios seguintes, importantes avanços científicos e tecnológicos nessa área. No final dos anos 1970, o Instituto produziu o primeiro lote de tetrafluoreto de urânio (UF₄), etapa fundamental para o desenvolvimento das tecnologias de conversão do urânio. Ainda nessa época, conquistou o domínio da produção de flúor elementar de alta pureza, necessário para a obtenção de UF₆, composto indispensável ao enriquecimento isotópico de urânio.

 

Nessa linha do tempo, o ano de 1983 representou um marco decisivo: foi oficializado o Projeto Conversão (PROCON), desenvolvido em parceria entre o Ministério de Minas e Energia e o Governo do Estado de São Paulo. Embora concebido e planejado no final da década de 1970, o projeto somente foi formalizado em 1983, tendo como objetivo a implantação, no IPEN, de uma usina-piloto destinada à produção de hexafluoreto de urânio (UF₆). Três anos depois, as obras da usina encontravam-se concluídas.

O Objetivo do PROCON era produzir UF₆ em quantidade suficiente para abastecer os experimentos de enriquecimento isotópico no Brasil. Entre 1986, quando a usina-piloto entrou em operação, e 1992, quando suas atividades foram encerradas, produziram-se 35 toneladas do composto, de altíssima pureza. Com o encerramento do Projeto, o material produzido no IPEN foi transferido para o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, “(...) juntamente com toda a tecnologia e metodologia científica ora estabelecida e dominada. Cumpriu-se o objetivo de adquirir conhecimentos em escala piloto, acumular material para o enriquecimento e fornecer hexafluoreto de urânio para as primeiras ultracentrífugas em operação no País.” (SANTOS, 2008, p. 59).

Ainda no ciclo do combustível nuclear, o IPEN desenvolveu outras linhas de pesquisa, a exemplo do reprocessamento de combustíveis irradiados pelo método PUREX. Entre os principais nomes dessa área destacou-se o de Bertha Floh, engenheira, pesquisadora e química brasileira, reconhecida por seus trabalhos, desenvolvidos nas décadas de 1970 e 1980, em tecnologia nuclear, especialmente nos processos de extração e separação de urânio e outros metais pesados, como o molibdênio. Inserido no contexto do Programa Nuclear Paralelo, o projeto de reprocessamento de combustíveis irradiados foi realizado nos laboratórios do Instituto desde o final da década de 1970 e, em 1983, sob a orientação de Bertha Floh, ocorreu “(...) a primeira operação a frio do treinamento em tecnologia de retratamento (...).” (GORDON, p. 422).

Os conhecimentos acumulados neste projeto tiveram continuidade na década de 1990. Batizado de Projeto Celeste — codinome para Células de Estudos e Testes em Extração — foi reformulado com o encerramento do Programa Nuclear Paralelo no IPEN. A experiência adquirida pela equipe de Bertha Floh passou a ser aplicada ao desenvolvimento de tecnologias de reciclagem e tratamento de rejeitos nucleares, bem como ao aperfeiçoamento de combustíveis avançados destinados à medicina nuclear e à geração de energia.

Referências:

GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

SANTOS, Ivan. Descomissionamento de uma usina de produção de hexafluoreto de urânio. 2008. Tese (Doutorado em Tecnologia Nuclear – Materiais) – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/85/85134/tde-16112009-151223/. Acesso em: 22 jul. 2026.

60 anos do Ciclo do Combustível Nuclear no IPEN: Enredos de uma Conquista Estratégica. Webinar do IPEN, 26 ago. 2020. Disponível em: https://www.facebook.com/ipen.br/photos/o-webinar-60-anos-do-ciclo-do-combustível-nuclear-no-ipen-enredos-de-uma-conquis/1797208670421562/.

 

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