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IPEN 70 ANOS: EM 1981, O TÉCNECIO, UM DOS MAIS IMPORTANTES RADIOFÁRMACOS USADOS PELA MEDICINA NUCLEAR, ENTRA EM CENA

Publicada em: 21/07/2026 15:42 -

 

No começo da década de 1980, o IPEN encontrava-se consolidado como uma das principais instituições científicas do país vinculadas a uma universidade, desempenhando papel fundamental tanto no desenvolvimento das aplicações pacíficas da energia nuclear quanto na construção da soberania tecnológica brasileira. Nesse contexto, dois projetos de grande relevância passaram a ser executados.

 

Em 1981, foi firmado um convênio entre o Instituto e a Marinha do Brasil (MB) para o desenvolvimento conjunto de projetos tecnológicos, reunindo uma entidade civil e outra militar. Registrado sob o número 506/001, o convênio regulamentou a participação do Instituto no Programa Nuclear da Marinha (PNM) e definiu a área do IPEN a ser cedida para utilização pela MB.

Essa parceria histórica teve como objetivo os estudos das etapas de reconversão do urânio – processo de transformação do hexafluoreto de urânio em pó de dióxido de urânio – e da produção de pastilhas cerâmicas destinadas à fabricação de combustível nuclear para reatores. Seu propósito maior era assegurar a autonomia nacional na produção desse combustível, reduzindo a dependência externa em um setor considerado estratégico. A cooperação também marcou o início do desenvolvimento de reatores de pesquisa no campus da USP, culminando, em 1983, na construção e na entrada em operação do reator IPEN/MB-01.

 

Nesse mesmo ano, teve início a fabricação, com tecnologia própria, de geradores de tecnécio a partir do molibdênio importado do Canadá. Utilizado na medicina nuclear, o gerador é um sistema no qual ocorre o processo químico de eluição, responsável pela separação do molibdênio e do tecnécio (Tc-99m). Esse radioisótopo está presente em mais de 80% dos exames de medicina nuclear realizados no mundo, sendo empregado em procedimentos de diagnósticos por imagem. Em razão de sua ampla aplicação clínica, o tecnécio-99m tornou-se um dos principais radiofármacos produzidos e distribuídos pelo IPEN, posição que mantém até os dias atuais.

 

Referências:

GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

SILVA NETO, Salvador Ramos da. Planejamento estratégico/gestão estratégica: modelos para a MB: a indústria de combustível nuclear no Brasil – modelos de gestão. Rio de Janeiro: Escola de Guerra Naval, 2022. Trabalho de Conclusão de Curso. Disponível em: https://repositorio.marinha.mil.br/handle/ripcmb/845905. Acesso em: 20 jul. 2026.

 

Categoria

Ciência e Tecnologia

Tags: São Paulo

 
 
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