“Reator: homenagem do Brasil a São Paulo”. Correio Paulistano, São Paulo, 26 jan. 1958. Edição n. 31.234, Primeiro Caderno, página 5
Oreator IEA-R1 começou a operar no fim de 1957. A inauguração oficial, porém, foi no dia 25 de janeiro de 1958, no aniversário de 404 anos da fundação da Cidade de São Paulo. A escolha pela data não era aleatória: o reator representava um marco histórico para a capital paulista e para o Brasil.
O evento de inauguração foi realizado na sede do reator, na Cidade Universitária da USP. Foram inúmeras as autoridades presentes. Entre elas, o presidente da República, Juscelino Kubitschek; o governador de São Paulo, Jânio Quadros; a jornalista e deputada federal Ivete Vargas; e o presidente da Câmara Federal, Ulysses Guimarães. Também participaram da cerimônia os professores e cientistas do Instituto, bem como de outros países, além de autoridades internacionais.
Atualmente, a operação e a utilização segura do IEA-R1 são de responsabilidade do Centro dos Reatores de Pesquisa, uma das unidades estratégicas do IPEN. Projetado para produzir fluxo de nêutrons, utilizado na investigação da estrutura de materiais em nível atômico, e na produção de radioisótopos, o reator desempenha papel fundamental na pesquisa científica e no desenvolvimento tecnológico do país. Suas atividades abrangem a produção de radiofármacos para a medicina nuclear, a irradiação de materiais, inclusive para a conservação de bens do patrimônio cultural, além de diversas aplicações industriais. O IEA-R1 constitui importante infraestrutura para a formação e a qualificação de recursos humanos especializados na área nuclear.
Quando da inauguração do IEA-R1, o IEA já oferecia curso de Introdução à Engenharia Nuclear para graduados em escolas superiores com o intuito de especialização em Engenharia Nuclear.
Em junho de 1958, também foi dado início à construção dos prédios dos laboratórios anexos ao reator nuclear. Isso deu apoio à estruturação das pesquisas nas áreas de física nuclear, física de reatores de pesquisa, radiobiologia e radioquímica. As obras foram concluídas em 1960, mas a utilização efetiva dos espaços aconteceu ao longo de 1963.
Fontes:
GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

